Ricardo Silveira é músico profissional desde 1976, tocando ao vivo e em estúdios com grandes nomes da música brasileira e internacional. Seu nome está presente na ficha técnica de centenas de discos como músico, arranjador, produtor ou, ainda, diretor musical. E neste ano de 2014, seu primeiro disco, "Bom de Tocar" (Polygram), completa 30 anos de lançamento.
 
Ao longo deste período sua trajetória foi pontuada pelo lançamento de mais de 10 discos autorais. Depois do citado “Bom de tocar”, gravou o disco "High Life" (1986, junto com o grupo de mesmo nome, do qual fazia parte) e “Ricardo Silveira" (1987), ambos pela WEA Brasil. A partir daí Ricardo foi convidado a gravar para o mercado norte americano, e não parou mais.
 
Para a Verve Forecast gravou os discos “Long Distance” (1988), “Sky Light” (1989), “Amazon Secrets” (1990) e “Small World” (1992), todos até hoje bem executados nas rádios de jazz norte americanas. São trabalhos que mostram o amadurecimento de Ricardo como músico e compositor, num espectro musical variado que consolidou sua carreira internacional. Pela mesma gravadora, recebeu ainda o convite para produzir o disco “Moonstone” de Toninho Horta em 1989 e teve o primeiro e único trabalho da Banda Zil, da qual era um dos integrantes, editado no exterior.
 
Depois da Verve Forecast, Ricardo gravou "Storyteller" (1995) para o selo Kokopeli (do flautista Herbie Mann), seguido de “Noite Clara” (2003), lançado nos EUA pela Adventure Music e distribuído no Brasil pela MP, B Brasil. Este trabalho foi indicado ao Grammy Latino de melhor CD instrumental no ano de 2004.
 
Outros trabalhos se sucederam, todos gravados e lançados pela Adventure Music, seu atual selo, com distribuição também no Brasil: “Ricardo Silveira e Luiz Avellar Ao Vivo Tocam Milton Nascimento” (2004), “Outro Rio” (2007) e “Até Amanhã” (2010).
 
O ano de 2013 foi de intensa produção musical: além de shows e gravações, Ricardo lançou dois trabalhos, por enquanto apenas nos EUA: “RSVC”, disco em dupla com Vinicius Cantuária, e “Atlânticos”, duo com o violonista Roberto Tauffic. Isso sem contar com o relançamento de “Storyteller” pela Adventure Music no mercado norte americano.
 
Com este mesmo ritmo acelerado, em 2014 estão previstos os lançamentos de “Ricardo Silveira Organ Trio”, um sonho antigo de Ricardo em explorar as sonoridades de um trio de jazz baseado no som de um Órgão Hammond B3, e um disco inspirado nos 30 anos de “Bom de Tocar”, cuja música título é uma de suas composições mais celebradas. Ambos os repertórios foram frutos de diversas apresentações no ano de 2013, as quais Ricardo continuará levando para todos os palcos ao longo deste ano.

Me interessei cedo pela guitarra e pelo violão. Gostava de tirar as melodias das musicas que ouvia no rádio e nos discos, primeiro só numa corda e depois tentava descobrir os acordes. Descobri mais tarde que isso é um ótimo exercício para o ouvido e para conhecer o braço do instrumento.
 
Depois de um breve flerte com o violino, ouvi falar na Berklee
College of Music em Boston ao mesmo tempo em que começava a me interessar pelos discos de Jazz, de Dave Brubeck, Keny Burrell, Miles Davis, Oscar Peterson, Joe Pass, George Benson, Wes Montgomery [...] e tive a oportunidade de ir para lá fazer um curso de dois meses.
 
Percebi que recebia muitos convites por ser brasileiro [...] Ouvia muita musica brasileira, principalmente os discos do Tom, Donato, Edu Lobo, Jacob do Bandolim... até que 4 anos depois voltei ao Brasil e o Liminha me recomendou para tocar com Elis Regina no tour do disco Essa Mulher. Foi o primeiro tour pelo Brasil. Nessa época havia muito trabalho em shows e gravações e comecei a gravar com todo mundo. Em shows, com artistas brasileiros, entre outros depois de Elis, toquei com Hermeto Paschoal, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Milton Nascimento, João Bosco, Ivan Lins , Nana Caymmi, João Donato e Ney Matogrosso, para quem também fiz arranjos e direção musical.
— Ricardo Silveira

Por Mauricio Gouvea